Três ideias para valorizar o produtor rural

As sugestões são do ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues e dos presidentes da Korin Agropecuária, Reginaldo Morikawa, e da Biosev, Rui Chammas.

O agronegócio é um dos setores mais estratégicos para a economia e representa cerca de 25% do PIB brasileiro. O setor impacta praticamente todos os campos da vida moderna, do vestuário ao transporte. Entretanto, parte da população urbana não dá o devido valor ao produtor rural. 

Para estimular esse debate, a Rede AgroServices conversou com três grandes líderes do segmento: o ex-ministro da Agricultura (de 2003 a 2006) Roberto Rodrigues, o presidente da Korin Agropecuária, Reginaldo Morikawa, e o presidente da Biosev, Rui Chammas. Veja o que eles pensam:

 

Roberto Rodrigues: imagem ruim dificulta políticas públicas

O ex-ministro da Agricultura acredita que a comunicação entre o rural e o urbano precisa ser aprimorada com urgência. Segundo ele, parte da sociedade ainda mantém uma imagem negativa do produtor – e isso interfere nas ações do governo para o segmento. “Numa democracia, as políticas públicas só são assumidas pelo governo se a maioria da sociedade for favorável. A imagem deturpada do produtor que desmata florestas, usa veneno, é totalmente depreciativa. Tudo isso inibiu políticas públicas favoráveis ao setor nos últimos anos”, afirma Rodrigues, que hoje coordena o Centro de Agronegócio da FGV/EESP e preside o Conselho do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Academia Nacional de Agricultura.

Ele defende uma institucionalidade mais eficiente no agronegócio. “Temos uma ministra muito competente, que tem a confiança do setor, mas há gargalos que são interministeriais, como infraestrutura, comércio exterior, questões trabalhistas e fiscais”, diz Rodrigues. Segundo ele, há um conjunto enorme de instituições que lidam com agricultura, de modo que precisa haver uma estratégia de estado para unificar isso. “O parlamento precisa se mobilizar, pois a imagem do produtor também depende de uma unificação”, ressalta.

Mesmo com as questões pendentes, Rodrigues acredita que aos poucos a sociedade urbana está reconhecendo a relevância do campo. “Ainda mais nessa época em que a economia está ruim e o agronegócio sobressai”, diz. A participação de jovens e a profissionalização no campo também colaboram para a melhoria da imagem. “Precisamos de mais vozes em defesa desse setor. Informação correta é fundamental”, avalia o ex-ministro.

 

Reginaldo Morikawa: precisamos fazer a verdade e o conhecimento prevalecerem

O presidente da Korin Agropecuária também acha importante investir na valorização da imagem do produtor rural. “Precisamos nos comunicar mais para fazer prevalecer a verdade e o conhecimento”, afirma Reginaldo Morikawa. Ele acredita, porém, que a agricultura orgânica é menos afetada. “As pessoas sabem que o agricultor de orgânicos estuda muito porque, além dos processos convencionais, precisa desenvolver os processos orgânicos. Por isso, está longe de parecer um Chico Bento”, diz Morikawa, referindo-se ao personagem caipira criado pelo cartunista Maurício de Souza.

 

Rui Chammas: estimular a coesão e a difusão de boas práticas

O presidente da Biosev acredita que a transformação da imagem do produtor na sociedade depende da difusão de boas práticas e do incentivo ao profissionalismo. “O produtor hoje é, principalmente, um empresário, que deve atuar em diversas frentes para ser bem-sucedido: social, ambiental e econômica”, afirma Chammas. “Na Biosev, investimos em tecnologia agrícola com o objetivo de aumentar a produtividade e eficiência operacional. Isso vira referência para nossos 1,2 mil fornecedores e parceiros de cana-de-açúcar. As boas práticas são divulgadas e podem ser replicadas”, diz. Aos poucos, segundo ele, a informação vai sendo difundida por toda a sociedade e reflete na imagem do produtor rural.

COPYRIGHT © BAYER S.A - Última atualização: 13/12/2012 (1.0.2387)