Como prevenir síndromes que acometem as vacas no pós-parto

Doenças metabólicas aumentam os custos de produção e reduzem a produção de leite da propriedade

Para manter a produção de leite, as vacas devem passar pela gestação e pelo parto todo ano. Em geral, essa transição, caracterizada pelo fim do período seco e o início da lactação, compromete o metabolismo dos animais. Para evitar que este seja um momento de transtornos, o produtor deve compreender quais são os fatores responsáveis pela alta incidência de doenças metabólicas que acometem as vacas no pós-parto. “Um conjunto de doenças compromete entre 30% a 50% do rebanho nacional”, diz o pesquisador Rodrigo de Almeida, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). As principais são a hipocalcemia, a cetose, a retenção de placenta, a metrite e o deslocamento do abomaso.

 

As consequências do registro de uma ou de todas elas no rebanho são o aumento dos custos de produção, uma vez que os gastos com as doenças variam entre US$ 300 e US$ 800 por caso clínico, sem contar as perdas com a redução da produção leiteira, já que a vaca adoecida terá sua produção comprometida. Por isso o pecuarista deve ficar atento principalmente nas duas semanas que sucedem o parto, período em que a maior parte das doenças é registrada. Nos rebanhos maiores, orienta-se criar um lote único de vacas paridas para melhor acompanhamento. Já nas pequenas propriedades é o olho do produtor que vai ajudar a evitar as ocorrências. “A prevenção não é cara. Basta um pouco de atenção à vaca recém-parida e o produtor poderá notar se há algum problema”, diz o professor, que é doutor em nutrição de ruminantes.

 

Conheça as doenças, os sintomas e as prevenções:

Hipocalcemia – Conhecida popularmente como febre do leite, é a doença com maior incidência nesse período e a primeira que aparece, geralmente nas 48 horas após o parto. A vaca apresenta baixa concentração de cálcio no sangue em função da alta demanda de cálcio pela glândula mamária. Pode ser clínica, com sinais visíveis no animal, que fica sem ânimo, geralmente deitado no chão, ou subclínica, sem sinais no animal, que mantém a aparência saudável.  A prevenção pode ser feita nas semanas finais da gestação com a oferta de sal aniônico para o rebanho todo. Também é possível fazer uma suplementação de cálcio logo após o parto, por 3 a 5 dias.

 

Cetose – Ocorre geralmente entre o quinto e décimo dia após o parto. É resultado de um desequilíbrio energético, caracterizado pela incapacidade do animal de consumir energia suficiente para atender às demandas metabólicas no momento em que há grande gasto energético para a produção de leite, gerando um balanço energético negativo. Pode ser clínica, com a perda de apetite do animal, que fica com as orelhas caídas e exala odor similar ao de acetona, ou subclínica, diagnosticada a partir de exames de sangue.  “Alguns testes comerciais usados para monitorar diabetes nos humanos podem ser usados pelos veterinários no diagnóstico de cetoses clínicas. São baratos e o diagnóstico sai em 10 segundos”, diz Almeida. A prevenção pode ser feita com suplementos alimentares, que elevem o apetite do animal.

 

Retenção da Placenta – É a permanência da placenta ou de restos placentários no útero da vaca por mais de 12 horas, o que provoca o crescimento de bactérias capazes de gerar uma infecção grave no útero. Pode ocorrer em até 50% das vacas de um rebanho e são causadas pela ocorrência de hipocalcemia, cetose, parto prematuro, parto difícil ou com dois bezerros. A retenção tem consequências imediatas, como a redução da ingestão de alimentos. Os sintomas vão depender da ocorrência ou não de uma infecção no útero. A melhor prevenção é o acompanhamento de um veterinário depois do parto para verificar se a vaca expeliu ou não a placenta.

 

Metrite – É a inflamação do útero, muito frequente após a retenção da placenta. Neste caso, o animal apresenta febre. Tanto a metrite como a retenção de placenta pioram a reprodução da vaca e atrasam em até três vezes o ciclo reprodutivo do animal afetado. Um dos sintomas é a urina fétida, e o tratamento consiste na administração sistêmica de antibióticos e, se necessário, anti-inflamatórios, o que pode apresentar resíduos no leite. A prevenção não é feita com foco na metrite, mas sim no fortalecimento do sistema imunológico do animal, com a ingestão adequada de nutrientes.

 

Deslocamento do abomaso – É o deslocamento do estômago sobre o seu próprio eixo. Neste caso, o animal tem que passar por um procedimento cirúrgico para devolver o estomago à posição normal. Há mais predisposição em animais que tiveram hipocalcemia e cetose. Em geral ocorre nos 15 dias após o parto. Os sintomas são redução de apetite, diminuição progressiva da produção de leite e dos movimentos ruminais, tanto em frequência quanto intensidade. São vários os fatores que causam essa doença, mas o principal é o manejo nutricional do rebanho. Para prevenir, é importante não deixar que os animais cheguem ao estágio final da gestação muito obesos. Também se deve evitar o balanço energético negativo por meio de uma dieta rica em fibra para que o rúmen (primeira camada do estômago) da vaca esteja sempre repleto, de forma a criar uma barreira física para o deslocamento de abomaso.

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