Pontas de pulverização: escolha correta aumenta a eficiência da aplicação terrestre

Descubra como equilibrar velocidade, pressão, tamanho de gota e vazão para ter operações de alta performance

As pontas de pulverização agrícola, conhecidas popularmente como bicos, são peças fundamentais para as operações de aplicação terrestre. Elas determinam o tamanho de gota do produto que será aplicado e qualidade do pulverizado. A escolha de pontas adequadas garante que o defensivo químico atingirá o alvo e poderá controlar pragas, doenças e plantas daninhas com eficiência.

Embora as pontas sejam tão essenciais para uma pulverização bem-sucedida, ainda é comum observar no campo bicos desgastados ou velhos e com problemas, como o entupimento, que prejudicam muito a aplicação. De acordo com Paulo Bettini, agroespecialista em tecnologias de aplicação na empresa Terra Pesquisa e Treinamento agrícola, a manutenção desses componentes deixa a desejar em boa parte das fazendas e ainda é difícil mensurar as perdas. “Eu faço auditoria de aplicação em uma área total de aproximadamente 500 mil hectares no Cerrado e percebo que não chega a 10% o número de produtores que têm um controle da troca das pontas de pulverização”, diz o agroespecialista.

 

Como escolher as pontas corretas?

Para melhorar a aplicação, o produtor deve compreender todos os fatores relacionados à eficiência das pontas e suas indicações, que dependem do alvo, tipo de defensivo escolhido e as condições climáticas no momento da aplicação. O primeiro passo é entender que existem no mercado pontas do tipo leque, que são mais populares e indicadas para aplicação de herbicidas e inseticidas, e as pontas do tipo cone, capazes de produzir gotas mais finas e indicadas para o uso de fungicidas, mas essas pontas exigem condições climáticas favoráveis à aplicação.

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Acerte o alvo

O grande objetivo da pulverização agrícola é controlar pragas, doenças e plantas daninhas. Portanto, para tomar a melhor decisão de escolha das pontas, o produtor deve estudar qual é o alvo biológico. “O fator mais importante é entender a localização do alvo para começar a decisão do pulverizado”, afirma Bettini.

A partir daí, a decisão deve seguir um passo a passo lógico. Bettini cita como exemplo doenças como a ferrugem asiática e a mancha-alvo, que atacam a soja no terço inferior das plantas. “Se são alvos no terço inferior, precisamos de gotas capazes de alcançar esse alvo e o produtor deve escolher pontas para gotas mais finas”, explica o agroespecialista.

Na sequência, deve-se observar a pressão correta para a ponta escolhida, determinar uma velocidade constante que emita essa pressão, e a vazão será uma consequência dessas escolhas. “Automaticamente, a ponta vai gerar as partículas adequadas para colocar a dose de maior eficácia possível no terço inferior”, diz Bettini.

Todos esses detalhes devem ser observados ainda em respeito às condições do ambiente. “Gotas finas precisam ser utilizadas em ambientes com temperaturas menores que 28 graus, umidade relativa do ar acima de 50% e vento com velocidade entre 3 e 6 quilômetros por hora”, afirma o especialista. Uma dica importante de Bettini é simular a operação utilizando água com corante e folha de cartolina ou cartões hidrossensíveis. “Assim, o produtor pode checar se o pulverizado está chegando nos alvos”, diz o agroespecialista.

 

Entenda a pressão, formação de gotas e vazão

De acordo com Bettini, ainda ocorrem equívocos durante as tomadas de decisão de pulverização. Há produtores que confundem os conceitos de pressão e vazão e muitos escolhem as pontas por força do hábito. “Geralmente o produtor toma decisões de pulverização por vazão e não observa a pressão das pontas. A pressão de trabalho é responsável pela quebra de partículas, que é o item básico para o atingimento do alvo biológico”, explica o agroespecialista

O trabalho exige conhecimento técnico para interpretar a tabela de pontas e definir a pressão mais adequada. “É preciso entender corretamente qual é o tipo de ponta de pulverização, qual o tipo de câmara de turbulência e se a ponta está trabalhando na pressão adequada para o pulverizado. E ainda ter a informação de ângulos, que vai nos permitir o entendimento do melhor fechamento e sobreposição ao longo da barra”, explica Bettini. “O principal é a escolha da ponta em relação ao alvo biológico e a pressão correta. A vazão é um item de consequência.”

 

Cuidado com a velocidade

Máquinas modernas têm a capacidade de manter a vazão quando a velocidade oscila e isso ajuda a manter a média de aplicação de dose por hectare. Nesse caso, o produtor pode ter a ilusão de que o trabalho será homogêneo. No entanto, Bettini alerta que oscilações de velocidade sempre geram grandes impactos na qualidade de aplicação.

Um aumento de velocidade de 10 para 15 km/h, por exemplo, altera muito a pressão e formação de gotas. “Com aumento de velocidade, aumenta a pressão e começa uma perda maior por deriva. Essas perdas podem variar de 30% a 70% da dose efetiva”, explica Bettini. Por outro lado, a redução de velocidade reduz a pressão. As pontas então formam gotas maiores que talvez não atinjam o alvo de doenças. “Quando a gota ‘engrossa’ dentro da mesma vazão, o pulverizado não atinge nem 1% do terço inferior”, diz Bettini. Segundo o agroespecialista, o recomendado é manter ao máximo o mesmo ritmo de operação. Quanto mais uniforme for a velocidade da máquina e a pressão das pontas, melhor será a qualidade da aplicação.

 

É hora de comprar pontas novas?

Bicos velhos são sinônimo de prejuízo. “Pontas de pulverização com desgaste podem prejudicar o quociente de variação ou volume de calda entre uma ponta e outra. É prejudicial para o padrão de qualidade de gota”, diz Bettini. “Além do valor da ponta, imagine a quantidade de produtos que passa por elas e possíveis perdas.”

De acordo com o agroespecialista, o produtor deve ficar atento e substituir as pontas no período de carência. A regra básica é anotar as horas trabalhadas e substituir as pontas quando atingirem 600 horas efetivas de trabalho de pulverização. “Observamos em campo que infelizmente o produtor não faz essas anotações”, conta Bettini.

Além de respeitar a vida útil recomendada pelos fabricantes, o produtor também deve checar o desempenho das pontas durante a safra. “A variação de volume entre as pontas de pulverização aceitável é de 8% a no máximo 10%. Essa é uma regra básica que nos auxilia a avaliar a qualidade. Mas precisamos ter a garantia de que as pontas estão limpas no momento da avaliação, sem obstrução por impurezas”, explica Bettini. Acima desse índice, é recomendável substituir a peça por uma nova ponta.

Ainda vale frisar que a coloração não é um bom indicativo de qualidade do componente, já que a exposição ao sol pode desgastar a cor enquanto a ponta continua em boas condições de operação. “O ideal para avaliar seria fazer uma checagem semanal ponta por ponta. A maioria dos produtores não faz checagem nem anual”, diz Bettini.

O agroespecialista calcula que o custo operacional da pulverização gira em torno de R$ 12 a R$ 14 por hectare e o cuidado com o manejo evita prejuízos. “Os produtos custam 5 vezes mais que o custo operacional. Como agravante, se a aplicação não funcionar, o produtor pode ter impactos ainda maiores na produtividade da lavoura”, diz ele. Na opinião de Bettini, o ideal é que o produtor tenha o controle de todas as pulverizações, mantendo uma planilha de monitoramento para registrar os horários de início e término de cada aplicação, pontas utilizadas, pressão, velocidade do vento, temperatura e umidade.

 

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