3 dicas essenciais para otimizar investimentos na fazenda

Saiba como buscar o melhor custo para as benfeitorias e evitar o endividamento


Frequentemente, os agricultores se deparam com a necessidade de realizar investimentos na fazenda. Os maquinários vão se depreciando a cada safra e a infraestrutura da propriedade rural muitas vezes precisa ser modernizada ou ampliada para atender as demandas de produção. Geralmente, esses investimentos movimentam grandes cifras e exigem recursos próprios ou empréstimos elevados para serem amortizados no longo prazo.

De que forma o produtor pode otimizar esses investimentos e evitar problemas financeiros? Segundo João Paulo Prado, sócio-gestor da consultoria MPrado, de Uberlândia (MG), a resposta certa para investir com sucesso é muito planejamento. “Antes de investir, o produtor precisa fazer o planejamento da próxima safra e estudar os custos de produção. Não basta ter o valor disponível em caixa para investir, o produtor tem que saber se esse recurso estará de fato disponível nos próximos meses para o pagamento”, afirma ele.

 

1 – Planejamento estratégico

O planejamento inclui definir prioridades e buscar alternativas, estimando o fluxo de caixa da fazenda com 24 meses de antecedência. João Paulo Prado dá como exemplo o caso de um cliente que deseja comprar um trator e a realização de análise financeira de viabilidade da máquina. Nesse caso, a consultoria avalia os custos de manutenção, consumo de combustível e resultados das operações com o trator em uso na fazenda e o possível valor de venda. Em seguida, seria necessário mensurar o retorno financeiro da compra de um trator mais moderno e quais seriam os ganhos em produtividade e mão de obra. “Apoiamos o produtor na escolha do investimento. Além de fazer a análise do retorno sobre o capital, avaliamos o impacto que geraria no caixa dele”, diz Prado. Em alguns casos, por exemplo, a consultoria pode julgar ser mais vantajoso investir em terceirização de maquinário em vez de comprar um novo trator.

De acordo com o sócio-gestor da consultoria MPrado, cada investimento traz uma perspectiva diferente para o negócio, por isso é fundamental avaliar caso a caso quais são as necessidades reais da fazenda e o intuito do produtor. Ele cita como exemplo um produtor de algodão que planejava contratar empréstimo para investir em pivôs para irrigação e apostar em uma nova algodoeira. Inicialmente, a prioridade desse cliente era adquirir os pivôs. A análise da MPrado, no entanto, indicou que a algodoeira deveria ser o primeiro investimento. “O retorno que esse produtor teria montando a algodoeira seria maior do que para o pivô – para a situação específica deste cliente”, diz João Paulo Prado.

A consultoria avaliou qual o impacto da algodoeira e do pivô de irrigação no negócio, o que cada alternativa geraria em produtividade e em ganho de escala. “Independentemente da cultura, precisamos avaliar qual seria o objetivo da benfeitoria. Tudo depende muito do fluxo de caixa do produtor, das despesas financeiras para os próximos meses e a capacidade de pagamento”, diz Prado.

 

2 – Avaliação de cenário

O planejamento de investimento também deve considerar as perspectivas para a safra e fatores que impactam o mercado, com previsões que visam honrar os pagamentos. A análise da MPrado, seguindo a metodologia “Swot”, elenca as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças ao negócio. “Primeiro avaliamos o mercado externo, o preço das commodities e o impacto na receita da fazenda”, explica Prado. “Temos que estimar vários cenários, sempre considerando os riscos do negócio. Sempre temos que traçar o cenário otimista, conservador e um cenário pessimista.”

O investimento também deve levar em consideração o histórico da região e os resultados da fazenda nas últimas safras. Isso permite, por exemplo, estimar perdas com possíveis ocorrências de intempéries, como secas ou chuvas excessivas. “Há quebras de safra na Bahia, por exemplo, a cada 5 ou 6 anos. Tem produtor que é sempre otimista e acredita que a chuva vem na hora certa. Mas quem está antenado aos riscos sempre provisiona recursos, como ter 20% do lucro guardado para quando tiver quebra de safra”, afirma o sócio-gestor da MPrado.

 

3 – Uso de capital

Se o investimento na fazenda exigir a contratação de empréstimo, o planejamento vai considerar o pagamento dos respectivos juros. Mas, se as benfeitorias forem realizadas com recursos próprios do agricultor, ainda assim é preciso estimar os custos de capital. “O investimento precisa remunerar o capital do produtor, o dinheiro dele não pode parar de render. A linha padrão para avaliar é a taxa do CDI. O recurso investido tem que render mais do que o CDI para o investimento se tornar interessante. É como se o produtor estivesse emprestando dinheiro para a fazenda dele”, explica Prado.

De acordo com João Paulo Prado, essas premissas permitem a otimização dos investimentos. Assim, o produtor manterá a contabilidade da fazenda em ordem, com saúde financeira e evitando o endividamento elevado. “O produtor pode ser mais tecnificado, competitivo e ter custos melhores. O planejamento com antecedência permite achar alternativas criativas, ser mais maleável com os custos e obter melhores margens”, diz Prado.

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