Como atuar no segmento de frutas desidratadas

As vantagens, os primeiros passos, o custo e onde obter ajuda para ingressar nesse mercado

A busca por um estilo de vida mais saudável tem contribuído para elevar o consumo de frutas desidratadas no Brasil. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf) estimam o tamanho desse mercado em aproximadamente 60 mil toneladas anuais. A desidratação evita a proliferação de micro-organismos, aumenta o prazo de conservação por até seis meses, preserva as vitaminas e nutrientes e facilita a embalagem e a estocagem das frutas.

Bom para o consumidor, este é um negócio que melhora também a saúde econômica do agricultor, já que vai ao encontro das dificuldades dos pequenos produtores de frutas, que chegam a acumular perdas de até 70% da sua produção. “Esse processamento pode ser uma saída para o aproveitamento total da safra dos fruticultores. Principalmente para aquelas frutas que, sadias, não são classificadas comercialmente, porque têm forma irregular, tamanho pequeno, ou o seu preço de mercado está muito baixo”, explica Maurício Aguirre, pesquisador da Fruthotec, empresa do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) que atua na área de pesquisa, desenvolvimento, consultoria e assistência para produtos desidratados, bebidas e conservas.

 

Instalações simples

Os métodos de desidratação de frutas consistem em maquinários simples que podem, inclusive, ser montados pelo próprio produtor. Os secadores do tipo estufas com bandejas e circulação de ar quente são os mais usados. “Este processo não exige altos investimentos nem grandes áreas para instalação e pode ser aplicado para qualquer volume de produção”, diz o presidente da Ibraf, Moacyr Fernandes.

A Embrapa Agroindústria de Alimentos disponibiliza aos produtores um manual virtual (ver link ao final da matéria) para que possam montar sua própria estufa, recomendado inclusive pelo Ibraf. “A ideia é que a pessoa possa construir, utilizar e fazer a manutenção com materiais encontrados em qualquer região do País”, explica Félix Cornejo, pesquisador da Embrapa. O desidratador de frutas da Embrapa funciona com aquecedores domésticos para aumentar a temperatura do ambiente, que custam menos de R$ 100.

 

Compra de maquinário

Se a intenção do produtor for comprar o maquinário pronto, os preços podem oscilar entre R$ 20 mil a R$ 50 mil, segundo o técnico da Fruthotec. O tamanho da estufa vai depender do volume que o produtor deseja desidratar. A demanda por energia também pode variar, já que algumas frutas e legumes, com mais água, como o tomate, levam mais tempo para desidratar, o que implica num custo maior de eletricidade. “É altamente recomendado que os pequenos produtores organizem-se em condomínios, consórcios ou cooperativas, não só para a produção, mas principalmente para a comercialização”, ressalta Fernandes. Além disso, é indicado que o local do processamento esteja próximo à área de produção das frutas, evitando perdas com o transporte.

 

Assistência ao produtor

Além da Embrapa, que criou um manual de construção de um desidratador, o Sebrae também oferece auxílio com planos de negócios para este setor. De acordo com Enio Queijada, gerente de agronegócios do Sebrae Nacional, conhecer o consumidor e os pontos de revenda são aspectos relevantes para o sucesso do empreendimento. “Este é um segmento que pode atender desde a alimentação escolar, que ainda não tem tradição, mas que seria beneficiada pela facilidade de estocagem, até os mercados mais exigentes, como restaurantes de comida natural, supermercados e academias”, explica.

Por isso, segundo ele, é importante que aspectos como embalagem e marketing sejam cuidadosamente pensados. O condicionamento das frutas secas é fundamental, pois a umidade acima de 25% tornará o produto impróprio para o consumo e comercialização. Para isso, explica Queijada, o produtor pode contar com o subsídio de inovação do Sebraetec, programa de inovação tecnológica do Sebrae.

 

Mercado nacional

Embora o potencial do Brasil para a produção de frutas desidratadas seja enorme, diante da oferta variada de frutas in natura ao longo do ano, o País ainda adquire no mercado externo a maior parte das frutas desidratadas que consome. Segundo o International Nut and Dried Fruit Council, somos o sétimo maior importador mundial de uva passa e damascos desidratados.

A produção brasileira ainda é muito pequena, sobressaindo-se a fabricação de banana passa, que ainda é a fruta mais consumida na forma desidratada, mas, segundo Fernandes, algumas empresas estão diversificando a oferta. “Os métodos variam dos mais tradicionais, como a desidratação, aos mais avançados, como a liofilização (secagem a frio), que permite a obtenção de produtos de alto valor unitário como chips ou snacks de maçã, banana, abacaxi, entre outros”, diz Fernandes.

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