Como a densidade de plantio interfere na produtividade da soja?

Saiba por que a distribuição das sementes é crucial para estabelecer uma lavoura com população de plantas adequada capaz de expressar o maior potencial produtivo

O volume de sementes que é aplicado por hectare durante a operação de plantio precisa ser acompanhado ao máximo. A uniformidade na distribuição das sementes e boas práticas de plantio permitem o estabelecimento de uma lavoura homogênea, com a possibilidade de atingir altas produtividades.

 

Por que a densidade de plantio é tão importante?

Muitas vezes, os conceitos relacionados à densidade se confundem. Inicialmente, o produtor deve entender a densidade de semeadura. Essa medida, calculada pelo volume de sementes por hectare, é o primeiro esboço do que virá a ser a plantação de soja. Dependendo das condições operacionais e do ambiente, a densidade de plantio determinará a população final de plantas, que é de fato a quantidade de plantas estabelecidas por hectare. Por fim, essa quantidade de plantas por área e o espaçamento entre linhas formam o conjunto que é conhecido como arranjo espacial de plantas.

 

Erros comuns

A escolha de densidade de plantio é como a ponta de um iceberg. Quando o produtor comete equívocos nessa etapa, o erro tem um efeito dominó e causa males que são irreversíveis ao longo da safra. “Às vezes, o produtor fica inseguro e acaba aplicando uma maior quantidade de sementes porque acha que muitas delas não vão germinar. Isso é um problema”, diz o engenheiro agrônomo Jorge Verde, consultor da União de Agrônomos Independentes (UAI).

 

O projeto UAI, desenvolvido pela Bayer em parceria com o Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), têm auxiliado os produtores no aperfeiçoamento das operações de plantio (clique no link aqui e veja a oferta de consultoria do UAI por meio do resgate de pontos na Rede AgroServices). “O que mais vemos em campo é que, normalmente, o produtor peca pelo excesso e por isso tem uma densidade [de plantas] maior do que o recomendado. Mas, realmente, há momentos em que a semente pode não apresentar a qualidade que o produtor espera, por isso que ele faz essa tomada de decisão”, conta o agroespecialista do projeto UAI.

 

Excessos no plantio e consequências

Os excessos na semeadura geram lavouras com alta densidade populacional. Nesse cenário, as plantas passam a competir por recursos, ou seja, elas disputam por água, nutrientes e brigam por espaço para receber a incidência dos raios solares. A situação pode ficar fora de controle e provocar até mesmo o acamamento. “O maior impacto é que pode influenciar na questão em que a planta não poderá expressar todo o seu potencial produtivo. A planta produz o hormônio de crescimento chamado auxina e nessa briga por luz a planta estiola. Pode ocorrer acamamento e comprometer o enchimento pleno dos grãos”, explica Jorge Verde.

 

Há outros possíveis desdobramentos negativos desse cenário. A alta densidade acelera a velocidade de fechamento das entre linhas e dificulta a penetração de defensivos químicos no dossel, podendo ainda colaborar para a maior a incidência de pragas e doenças. Isso sem contar o prejuízo financeiro, já que semear uma quantidade maior de sementes significa gastar mais com salário de operadores, óleo diesel e pró-labore dos proprietários da área de operação. “A operação de plantio tem um alto custo envolvido, o produtor também gasta com fertilizantes e tratamento de sementes. É uma operação em que não se pode errar”, afirma o agroespecialista.

 

Por outro lado, quando a densidade ideal de plantas é respeitada e as plantas conseguem se estabelecer em um espaço adequado, o sistema radicular se desenvolve corretamente e a planta desenvolve mais chances do sucesso produtivo. “Quem produz mais hoje em dia é o produtor que fez uma boa implantação da lavoura. Com as plantas muito bem distribuídas entre si, que não vão competir com as plantas vizinhas, elas poderão produzir mais grãos”, explica o agroespecialista.

 

De acordo com Jorge Verde, há casos em que produtores elevam a densidade das plantas propositadamente, com o intuito de aumentar a produtividade da soja. Mas, segundo o agrônomo, essa iniciativa deve ser tomada somente em condições controladas e com manejo bem planejado, ocorrendo o aumento de densidade especialmente quando o cultivo é irrigado ou o solo é muito fértil, por exemplo.

 

Não deixe de testar as sementes

Para evitar erros sobre a densidade de plantio, a principal recomendação é realizar testes de sementes. O processo de teste é simples, Jorge Verde explica que basta plantar algumas sementes em bandejas de plástico com areia ou solo da mesma área a ser plantada, cerca de 15 a 20 dias antes de iniciar o plantio. Assim, o produtor poderá observar a germinação e vigor das sementes adquiridas e se sentir seguro para plantar. “Se ele mesmo faz a verificação e confirma realmente que a semente está boa, ele pode trabalhar com um índice de germinação justo”, explica o agroespecialista.

 

Boas práticas de plantio

O tema da densidade de plantio não pode ser tratado isoladamente porque várias questões relacionadas às condições físicas das sementes e na regulagem de maquinário interferem na futura população de plantas. “Observamos uma ansiedade do produtor para começar a plantar logo e muitas vezes ele não se preocupa com as boas práticas, principalmente o cuidado com a velocidade de plantio”, diz Jorge Verde.

 

O agroespecialista recomenda conversar com a equipe de colaboradores da fazenda para explicar toda a operação e promover treinamento para que os operadores tenham realmente bastante cuidado durante o plantio. “A correta regulagem da plantadeira é fundamental, o disco precisa estar adequado para a classificação da semente, temos que observar se todos os alvéolos vão acomodar a semente”, explica Jorge Verde. Outro fator de peso no processo é a velocidade de operação da plantadeira, que deve ser mantida em torno de 5 a 6 quilômetros por hora.

 

Também é muito importante observar os discos de corte da plantadeira. “O agricultor tem que ficar atento com as glebas ou talhões que apresentam palhada ou restos culturais da cultura anterior. Dependendo da densidade de massa, é necessário fazer um ajuste no fio do disco de corte da plantadeira, afiar ou amolar. Esse ajuste fino vai permitir que o disco de corte consiga cortar ou separar a palha, evitando o embuchamento da plantadeira e o envelopamento de sementes”, explica Jorge Verde. “As sementes têm que estar em contato íntimo com as partículas do solo para que elas tenham condições de absorver umidade e calor para iniciar o processo de germinação.”

 

Tratamento de sementes e uso de grafite

É importante contar com a tecnologia de tratamento de sementes, seja industrial ou tratamento on farm. Um fator muito importante para a qualidade do plantio, segundo Jorge Verde, é a aplicação de uma quantidade adequada de pó de grafite nas sementes, antes de depositá-las na caixa de distribuição da plantadeira.

 

“O pó de grafite é responsável por ajudar a semente a deslizar no interior do cano condutor da plantadeira e se posicionar no solo segundo a regulagem da máquina e a densidade de plantas planejada”, explica Jorge Verde. “Essa homogeneização das sementes com pó de grafite é muito importante. Recomendamos de três a cinco gramas de pó de grafite para cada quilo de sementes tratadas e secas.”

 

De acordo com o agrônomo, o cumprimento dessas orientações técnicas evita falhas de plantio e duplas. “Todos esses fatores influenciam no arranjo espacial de plantas. Se o produtor cumprir boas práticas de plantio, terá plantas bem estabelecidas com a densidade recomendada”, diz Jorge Verde.

COPYRIGHT © BAYER S.A - Última atualização: 13/12/2012 (1.0.2387)